quarta-feira, 26 de novembro de 2008

sua.


sou sua...socorram-lhe...
por hoje...ainda bem...
e que hoje seja eterno...
porque amanhã...quem tem?



tenho certeza, por gritos e silêncios, que sou um paradoxo...hoje mais que nunca....
as vezes corro da multidão p'ra chorar de solidão...
como posso querer que você compartilhe esse vazio comigo se é você quem o preenche?
enfim...nem eu me entendo...por que meu coração e minha mente têm sempre respostas opostas?....


coitados daqueles que me cercam...desculpo-me desde já e eternamente....
mas que cada um carregue apenas a cruz que merece....



ao som de: metade-oswaldo montenegro

segunda-feira, 24 de novembro de 2008


não busque , não busque, não busque...
eu repito e grito e resolvo...
não deixo que tu resolvas nada...nem que ao menos fale...
não fale...
não quero lógicas ou pensamentos baseados em premissas, cálculos ou probabilidades...
não quero certezas...não quero nada...
nunca...eu digo N-U-N-C-A busque razão para o que sente por mim...
você promete? prometa...
não busque, não fale, não resolva...
nem me diga se não quiser...embora eu prefira...
só me ame...
e nem precisa ter certeza...ainda...

terça-feira, 15 de julho de 2008

o ultimo encontro...


-então...é isso...-concluiu desdenhosa quase como num deboche.
Postara-se contra a luz da lua, de modo que sua silhueta era carinhosamente contornada por ela...a parede tomabada às suas costas permitia total visão da mata fechada lá de fora e os tons azuis da noite tomavam a sala...
-Isso?-questionei impaciente. -É só o que tem a me dizer?
Eu andava de um lado a outro da sala em ruínas, com passos tão fundos que podia sentir o chão afundar-se sob meus pés.
Ela ria num sadismo extremo, e por vezes o sorriso era a única coisa que a luz permitia ver-me em seu rosto...
Indgnei-me....
como poderia?! como poderia rir-se das certezas que demorei toda uma existência p'ra concluir?....que naquele momento...naquele exato momento...eram as únicas coisas nas quais ainda poderia me segurar...
Gritava,agitando minha cabeça de um lado ao outro como se quisesse tirar de dentro dela as dúvidas que aquela presença pertubadora tinha colocado em mim....
E eu nem ao menos conseguia fitar-lhe os olhos...não tinha coragem....
-tola menina!-eu ouvia sem mais saber se as palavras saiam da sua boca ou da minha...
Me sentia pequena,afundei-me na cadeira na parte escura do cômodo,buscando qualquer coisa que pudesse me dar forças pra rebater a sentença...
-não!-afirmei com uma convicçao tão vacilante que eu mesma achara ridícula- eu o teria notado...como seria enganada por tanto tempo?...
- ora!-soltou então um riso de escárnio,bailando os lábios com a mesma voluptuosidade com a qual balançava a silhueta escura contra a claridade -quem te enganara?quem te enganara senão você mesma?quem te dera tais respostas?pare de vitimizar-se...não seja ridícula...a culpa é sua...
Suas palavras desciam arranhando meus ouvidos e secavam-me a garganta...eu tinha vontade de gritar,mas permanecia em silêncio...imóvel...desarmada...
De algum modo sabia que era verdade....Ela também...
-ninguém lhe disse que seria fácil-continuou...- que seria bom...que seria cor-de-rosa...mas você quis...
E então saiu,sem olhar p'ra trás com aquela tranquilidade que me irritara durante toda a conversa, misturando-se a sombra das árvores embora ainda sentisse que me contemplava e deleitava-se com meu desespero[com minha dor]...
- droga!...e eu ainda te quis...e tive que te amar e tive que te ver partir-o grito saiu seco, silencioso...talvez inaudível...

(diálogo com a VIDA- mais uma nebulosidade da minha mente...)