segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

A Sombra

Gosto de olhar minha sombra,
Onde pareço maior e mais imponente.
Gosto de brincar com as formas dançantes
De um  espelho d'àgua,
E de ouvir o papo do vento,
Assim, meio jogado fora...
Gosto até de sentir saudades,
Mas sentir a falta, a droga da falta,
Dessa eu  não gosto nada...

Viva la vida


Tanta gente me odeia de graça,
e outras tantas pagam caro p'ra gostar de mim.
Por que mudar o que eu sou para caber num coração pequeno?
não vou cavar simpatias, nem antipatias...
não vou viver alheia ao mundo,
nem levar o sonho de outros autores nas costas...
eu sou egoísta.
também não vou doar meu sonho a ninguém...
vou viver junto de quem amo,
 mas vou me viver primeiro,
isso eu vou!!!

domingo, 25 de dezembro de 2011

Desejo

 Desejo me cercar de amigos...
Amigos. aqueles que me conhecem e ainda assim me compram,
E que me confiam de olhos fechados.

Desejo me despir dessas feridas, e das carapuças,
e dos preconceitos.

Desejo. Desejo desejar menos o que não devia.
Desejo ser mais e menos sábia ao escolher quem virá caminhar comigo,
Desejo escolher quem é responsável pelo meu sorriso, e que essa, seja eu.

e Desejo, amar porque sou teimosa e amar todas as cousas que me fazem bem.
e Desejar, Desejar, Desejar...alguém que me veja além.





quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Querida Claudinha,Feliz natal!
Espero que você sorria com esse cartão,
da mesma maneira que eu ri das suas mentiras deslavadas
e da sua cara de palhaça que sempre jurou que me convencia.
Me desculpe por não conseguir ser suficiente para você como marido,
mas eu sou dentista e não psiquiatra, e ainda não sei consertar caráter.
Mas torço para você achar uma vítima melhor e menos inteligente,
vai que funciona....enfim, espero que goste do presente e deste cartão.
Use com sabedoria, e Uma boa Ceia....

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

possíveis finais 2

eu tentei manchar a página algumas vezes,
forcei a caneta e não tive rumo.
ficou em branco, inacabado,
como você e eu, e meio bobo.

como você e eu
ficou também minha esperança,
desbaratinadamente otimista,
vendo cinzas tão coloridos no nosso retrato.

o que dói mais foi que nós nos amamos e
nos quisemos com toda foraça do mundo,
aliás, força não, urgência... que consome mais
e move mais montanhas.

engraçado o toque do telefone não vir
acompanhado de uma corrida olímpica,
nem as horas correrem mais para deixar
aqueeeeeeeeele gostinho de injustiça...

mas hoje eu vi o seu sorriso no meu diário,
descrito com um quê de mal do século.
tinha até a data do nosso primeiro beijo,
do nosso ínicio de namoro, do nosso aniversário

mas não tinha fim para o eterno desacabado,
o tipo de sensação de injustiça que me tira o doce,
e que me deixa de mal com o para sempre,
e me fez deixar apenas as páginas de hoje molharem nas lágrimas.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Estou pensando em deixar a solidão andar sozinha,
criar um caminho de sonhos tortos, e me recolher às minhas alegrias...
Quero ser algo além de um detalhe no lado esquerdo do seu eu,
construir as asas que me foram negadas e me fazer de boba quando qualquer tristeza insistir em ficar...
eu sou mais que uma coisa só, eu sou certeza nenhuma e todos os caminhos...
Mas eu não quero ser só...

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

nó na garganta...

    Eu sou tão estupidamente óbvia,tão inutilmente transparente,que você riu de mim quando eu disse ser tão forte...E eu fui me achando tão digna do seu deboche que nem discordei, nem desconcedi...
 
   Eu sempre soube não me perder assim, mas lembrei do que me tomou de surpresa e me calei em respeito ao teu despeito tão cheio de razão...E eu não sou mais tão forte,então...
Eu escutava Beatles ontem na sala, olhando para a janela e lembrando de como tudo começou, tentando tatear aquele momento, a ponto de lembrar qual era o gosto daquele refresco na sua boca...tentei sentir as entranhas apertando, não comportando o sentimento que tinha dentro de mim...forcei a memória, mas eu fui tão transparente que até a memória riu de mim.
   Se eu pudesse escolher um poder para ter, escolheria voltar no tempo... e se eu tivesse um tempo para voltar,seria aquela noite...alguma coisa minha ficou ali, de tão forte que era a minha vontade de guardar aquela sensação para sempre. Levar num relicário num cordão longo que chegue ao coração, a foto, o sorriso e o carinho para lembrar que um dia o mundo não existiu e você foi tão meu quanto eu fui sua...sem pios e sem decepções, que passaram tão despercebidas que nem vento fizeram nos nossos cabelos.
  Só você e eu...
 Mas nem sempre o silêncio é a deixa pro beijo, nem sempre o beijo,é o final da discussão... Nem sempre a boca do culpado é o autor da desculpa, e  nem sempre o perdão é borracha boa.
Antes da tempestade vem a bonança, e depois talvez venha só a memória afinal....
 Mas a coragem não é boa arrumadora de malas, e a esperança se veste bem de infortúnio...
 E eu fico,sem saber onde, mas fico.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Desverbalização

Eu sinto,eu quero, eu faço...
Eu quero mesmo é Desverbalizar...
Hoje e nos próximos dias eu não quero praticar nada.
Nem o pensamento.
Talvez meia dúzia de cronicas da época em que até Machado era cronista,
E o mundo não era meu,e os problemas não eram meus.
E você,
droga,você de novo...
Você não era eu.

Refúgio

Paralela ao caos da cidade,Alita sonhava...vento no cabelo, vestido rodado.
Alita sonhava em ter alguém.
Pensou na liberdade, aquela que ela carregava no nome,sobrenome e cpf.
E ainda quis ter alguém.
Pensou nos casais que brigavam naquele exato momento.
Porque ele fumava, porque ela bebia,
Porque ela queria sair com as amiga e ele ir ao futebol.

Olhou para a mochila e para o horizonte e quis se sentir feliz por ser só
Fazer suas escolhas só, tudo só dela, tudo só ela...
Mas hoje Alita não estava feliz por ser sozinha.
Hoje ela pensava em quantos casais naquele exato momento se escondiam do frio e do tédio,
um no colo do outro, trocando nomes ridículos e brincadeirinhas estúpidas,
estupidamente felizes, ridiculamente uns dos outros...

Lembrou dele, lembrou dos machucados que ele causou e que ainda doiam,
quis se abraças, mas seus braços eram curtos...
O frio insistiu,brincou com a tristeza dela,esfriou as lágrimas contra a pele.
Era noite de Jobim na sua vitrola interna...aquela que toca só na cabeça...
e ela cantou, soluçou e cantou, e fugiu para um lugar mais barulhento.

para esquecer o que ocoração grita, para ignorar o que apela a vontade,
ela sonhou que cantava alto,
e sonhou que ninguém era dela,
ela não era de ninguém.

Bloco do Eu sozinho...

eu provei um pouco dessa dor
que inventei pela manhã cedinho
não foi amor,não foi amor
foi desalinho

eu catei migalhas e fiz
a melhor das suas canções
desejei por mais um triz,
teu amor em porções

quem ama não sabe o mal que faz
ao destino e ao próprio benfazejo
se faz e se mostra incapaz
e aceita viver de sobejo

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

sorriso amarelo

palavras rasgadas,
silêncio feito,
rascunho pronto.

eu escondi o pranto,
sacaneei minha tristeza,
e tudo que te dei foram meus dentes brancos...


domingo, 30 de outubro de 2011

sem nome

ele dança,
alérgico aos ritmos;
ele vive,
sinérgico aos medos;
ele pinta,
enérgico as cores;
e se corta por prazer,
e se confunde por prazer,
porque para ele,
toda loucura é sã,
e toda certeza é vã.

Patologicamente...

    Eu estou cega e patologicamente presa.
Construí uma verdade falsa, assim, meio paradoxa, e me prendi nos castelos cor-de-rosa que construí.
Você certamente não pode me culpar,a imaginação me dá possibilidades que a realidade desconhece...
e nesse mundo pintado, forçado e surreal,eu nunca me machuco sem querer...

    Eu já me senti sozinha, forcei visitantes que minha mente estranhou, tal qual bactérias no meu corpo, e me defendeu,sem minha vontade ou meu esforço, dos visitantes que eu convidei.

   Quando te trouxe para dentro, você olhou minha realidade Salvador Dalí e não entendeu nada. Mas achou bonito.E eu me encolhendo em mim, feito buraco negro, feito câncer, feito quem só sabe estar só, forçando um ballet impenetrável de defesa doce e intransigente.
   E eu senti tanta falta, eu senti falta de você...E quando expulsei tudo que era seu em mim, fui ficando vazia,patologicamente vazia...
   Foi mais ou menos no dia que comecei a matar meus anticorpos, minhas defesas de mim, e a mim, pra você poder habitar por aqui,mesmo que eu já não existisse mais.
  Sigo respirando tipo eutanásia, realidade branda,inspiração fulgaz....
  Mas eu nunca sei quanto vai restar...quantos suspiros mais eu terei...e quando os castelos cor-de-rosa se esvairão feito castelos de areia....
  E eu vou acordar e ver que você se foi e eu, não sou mais eu.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

...

eu nunca vou ganhar,
sou menina demais...
esse jogo é pra quem sabe jogar,
e eu?eu só sei te amar....

meu bem,
não faz assim,
se tudo tá ruim,
melhor chorar com você.

que rir sozinho é loucura
que eu não quero provar
nem hoje nem jamais...

vêm que eu não corro mais,
perdão por perdão é tudo barato,
perto da falta que você faz...


meu bem,
não faz assim,
se tudo tá ruim
melhor chorar com você enfim.

sem notícias

passaram-se anos,
talvez décadas,
eu fiquei perdida num tempo efêmero
e sem sentido algum

estranhamente eu sempre lembro,
agora eu sempre lembro nosso dia.
e fico olhando da varanda,
que já não é mais a mesma,
esperando seu rosto,
que não deve ser mais o mesmo,

olhar de baixo e tocar o interfone
que não existe mais.

eu fico imaginando do meu quarto branco,
de paredes brancas e sem quadros,
vazio, da minha nova morada.

pela fresta pequena da porta eu recebo o que me dão,
é só o essencial pra sobreviver,
água, comida e um cigarro,
por bom comportamento que eles me cedem, caridosamente
que abreviam meus dias e povoam meus pensamentos.

desse manicômio que eu inventei,
imagino o que você está fazendo,
lembro dos seus olhos,claramente,
aqueles olhos bobos que eu tanto te falei.

eu pintei na parede, com tinta guache,
eles apagaram,não acharam normal.
e eu chorei como quem perde alguém,
por alguém que não via mais.

e desse manicômio que eu inventei
só sua falta é real.
e o vazio que ficou, da minha vida sem você.
eu espero tocar o interfone imaginário,
descer as escadas saltitando de alegria em te ver.

e o quarto vazio e sem quadros,
eu só guardei uma lembrança do que é real
seus olhos bobos, nesse mundo branco sem você.

(possíveis finais)

sábado, 22 de outubro de 2011

eu sinto falta
de ficar boba quando você faz qualquer coisa fofa por mim
eu sinto falta de você me chamar de minha menina
eu sinto falta de você
mas você só enxerga o que me falta,
escreve com letras garrafais na sua consciência que eu te amo,
porque em cada centímetro do meu corpo isso está escrito

sexta-feira, 21 de outubro de 2011


despiram-se rápido,
não por completo,só o necessário
não por vontade, por pressa...

ele a tomou pelas ancas,
ela gritou e gemeu,
ele mordeu e beijou,,
gozaram,
foi embora...

não olhou pra trás, não telefonou...
eram amantes ocasionais,
traiam porque gostavam...e assim era

se esbarravam vez ou outra e
se preenchiam,
nesse espaço não tinha mais ninguém,
mas era só quando traiam seus próprios medos
e ficavam juntos para um sempre nem sempre duradouro

terça-feira, 18 de outubro de 2011

imaginário

o certo e o errado se curvam em respeito;
um deseja pouco e espera tudo,
outro deseja tudo e espera mais ainda.
nenhum é inferno nem céu...
toda sensação é luxúria,
e todo prazer egoísta...

eu sigo sinuosa por entre as curvas;
derrapo porque erro,mesmo cândida.
rio, porque divirto meus demônios internos
eu prossigo torta e direita, e com nenhuma certeza...

pensei certa vez para onde iria depois de morrer
se pudesse dividir meu corpo em partes...
morri na dúvida e na curiosidade de quem não gosta de perder.
não sei se deixo minha cabeça no céu e minha cintura no inferno,
e provo do melhor em todos os seus  lados,com o benefício da absolvição de pensamentos
ou se carrego olhos comigo para o quente e deixo as pernas converterem querubinslá de cima,
gozo celestial e um pouco de aventura...
inovar é preciso, corromper divertido...

por bem ou por mau vou com ele,
que sempre foi bom em me mostrar prazer na dor,
e provou do inferno que minha cabeça faz,
e ainda sim quis ficar...e entre pernas e mente...deu abrigo e se abrigou.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

De Papel

Cavo pedaços de dia na memória
esboço,protejo e guardo
o tanto que ficou e foi projetado
foi o seu "eu' que desenhei com carinho
pra amar um dia e fazer ninho


a sua cara amarrotada de manhã
o dia que inventa novas dores
vamos bancar animadores de solidão
e buscar algo pra espantar o fastio
e tentar a diversão como ofício

mas é tão difícil, é tão difícil
que você nem tenta além de suas convicções
e eu vou mantendo com desdém
tudo que restou de perigoso
ou seja tudo
tudo o que restou
e que foi pouco


domingo, 11 de setembro de 2011

aquele oi não era para você meu amigo!

e não, não sou escritora/criadoa de estórias...

sou só uma menina

que não sabe contar mentiras para seus amigos

mulher e homem

Eu nasci mulher para que meus exageros fossem perdoados, e minhas intemperanças, não ofensivas e biologicamente justificáveis.
E para quando tiver medo, desses meus rompantes e faltas de juízo, eu pudesse buscar teu peito e me sentir segura.

Você nasceu homem porque sente orgulho em ser tinhoso, e bate o pé em falar que estou fazendo tempestade em copo d'água.
E porque eu tenho as coxas macias e quentes, e você gosta de deitar nelas quando estamos nus pra dormir.

Eu nasci mulher e você nasceu homem,eu faço a tempestade...você me salva ou me deixa afogar?

gozo

aquele riso tardio,
aquela felicidade retardatária,
tipo gozo que vem só no final do ato...

eu passo...
quero gozar cada lambida,
cada cravada de unha...

você me chama de exigente,
eu me chamo de latente.

se quisesse calmaria eu não procurava abrigo no teu peito,
procurava perdão na igreja ou retiro em templo budista...

diálogos...

-eu era engraçado, inteligente, aplaudido,cultuado,e meio artista...
-e agora?
-agora eu sou só seu namorado.
-desculpa.
-imagina, agora eu sou mais feliz...mesmo burro, sem entender suas miudezas, e gaguejando quando falo.
-como pode?
-eu ter vivido tanto tempo sem você?não sei


*mas eu fugi mesmo assim...eu conheço esse depois...

xote

desalinho,
melhor achar o prumo.
se for pra ser sem rumo,
vem mansinho.

solidão,
não faça moradia,
se for noite vadia,
faz seguir sem a razão.

mas não me faz viver sem ele não,
não me faz viver sem ele não,
não me faz não.

por suposto

sou supostamente infeliz,
supostamente artista,
supostamente atriz,
supostamente pessimista....

ninguém me vê com o mesmo gosto
da minha verdade,ninguém petisca
eu sou é por suposto ,o oposto
e ai de quem seguir à risca

Mácula de Artista

eu sempre hesitem entrar no tablado
já fui o bêbado e a equilibrista
fui fazer fama de artista
entre o bem e o mal amado


teatro adentro conheci amor
de shakespeares e de cecilias
vi do oriente,mil maravilhas
provei veneno,traição e dor


mas foi em um sorriso ator
que fiz morada verdadeira
e fiz de minha arte, a primeira
como um verso redentor

quando ao fim do terceiro ato
era ele o herói  envenenado,
supus a morte do amado
e veio em mim o desbarato

num rompante de choro
fui eu quem chamei o pranto
mas o artista era tanto
que a morte aplaudiram em coro

foi tamanho o desalinho
que atirei-me janela ao chão
tamanha a queda que então
provei da vida descaminho

mas era cena de sofista
morte em ato consumado
e meu amor já prostrado
era mácula de artista



quinta-feira, 8 de setembro de 2011

mesa de bar, mulherão...

   Sexta feira, bar da esquina, junta todo tipo de gente, de objetivo, de moda, de prosa...
   Eu sentada, relaxada, moletom e idéias pra esquecer.
   O cara do lado conversa com o amigo:
-E aquela ellen roche hein, mulherão....
peitão, bundão...
Eu posso ouvir o comentário silencioso da mente da garçonete que serve a mesa:
-Mulherão sou eu que trabalho de segunda a segunda, arrumada, cabelo feito, unha bonita.


   Do outro lado do bar a discussão de relação esquenta entre um casal:
-Mas amor, ela foi só um caso, um casinho...é você quem me vê todos os dias, quem faz minha comida,
dona da minha casa, cuida dos meus filhos.ela era um Mulherão, não consegui resistir...
   E o justificador do injustificável nem sequer olha pra sua simplória esposa, enquanto
seca com os olhos (e com os desejos...) a mulher na mesa à esquerda.

Essa, por sua vez, atualiza a amiga animada de suas peripécias amorosas:

-Falei na cara, amiga, falei que dei pro ricardo sim, que o ricardo me comia direito,
que eu sou mulher e preciso de sexo, e sempre...E que ele devia aceitar o chifre como
aviso e como prova de amor, afinal, ainda estou com ele.
-Amiga, eu te admiro. Você é que é mulher,que admite seus desejos, vai atrás..Ah,eu com
essa coragem...

O amigo das duas, colega de empresa, em pleno happy hour, tenta cortejar uma terceira na mesa, um
esteriótipo comum, corpo escultural, burrinha burrinha...

-Mas você é uma cavala, um mulherão,cara de fatal, nunca vi uma mulher tão sedutora quanto você.

E a burrinha, ri toda prosa do pífio cortejo.

Eu, que continuo, na mesa, cerveja e cervejas, vou pensando e rindo:

-Mulherão sou eu! que tento ficar bonita, cuido de casa, trabalho e trabalho,
admito e sigo os meus desejos, não fico sem sexo, e com a cabeça cheia de idéias.

-Mulherão são anônimas (ou não),lindas, bem cuidadas,profissionais, cheias de desejos
na pele, e idéias na cabeça...e nenhuma, nenhuma mesmo, vocação pra aguentar
homem idiota do lado!

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

esperança fraquejou

não fui eu quem errou
mas a premissa não satisfez
desse tanto que desfez
tanto poeta foi, que calou

não entenda como breve
pouco fiz que tudo dei
e se em pouco exitei
é o mal de quem se atreve

desalinho, tende piedade
quem treme espera afago!
falta é nó que não desfaz

tende ao vazio como pressago
lança-me ao precipício,bom rapaz
àdeus..inferno, céu e saudade



domingo, 24 de julho de 2011

te amo

você nunca vai entender
também não vou medir
não vou saber

pedimos desculpas em vão
pensamos,e pensamos que pensamos
no final,é só sentir

administramos distâncias de perto
silenciamos ao berros
mas eu ainda te amo


e eu só te amo...
queria que soubesse,mesmo quando não quero te dizer...

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Anestesia

muito lirismo
pouca poesia

não há o que sentir
anestesia

o ministério da saúde adverte:
a dependência de solidão causa
tristeza, dor e morte...

sábado, 11 de junho de 2011

metade

todo mundo  obcecado pelo todo
passa parte do tempo se perdendo, sem lugar
e tem no medo um dedo de certeza
de não ter beira,nem lugar

tudo é uma parte, um terço
um quê a procurar
a parte da metade sincera
do vazio que alguém quis furtar

metade sentimento,
metade a se pensar
metade o que se ama,
metade o que amar

eu  não sou cara nem coroa,
tudo é velho demais
um bom livro, uma mentira,
um truque por trás

o tanto que ficou foi verdade
a outra parte também
a mentira uma metade
eu sou quem vê além...


metade sentimento,
metade a se pensar
metade o que se ama,
metade quem quer amar

eu sou um homem qualquer,
uma sarjeta, uma mulher


eu sou um homem qualquer,
uma sarjeta, uma mulher



no final, não sou ninguém além
do que qualquer um pode dar também

sábado, 4 de junho de 2011

Janela

  -Tchau...
  -Tchau!
      Não são muitas histórias que começam assim,pelo fim...
      Mas que história? Sou eu, sentada, quatro da manhã,
falando sozinha, usando um sorriso de desespero p'ra amparar as lágrimas,um travesseiro com teu cheiro p'ra acalmar a falta...
     Você não virá,se foi...se foi mesmo!você realmente entrou no avião e não vai chegar na minha porta e dizer que foi tudo uma brincadeira.
     Não sei porque olho pela janela então, e penso,e forço.Tento te ver na sombra, no andar de longe, na possibilidade,pouco provável...e eu, matemática,saberia,mas não penso,sem você nada é exato, nem sutil, nem nada.
     Não é um conto de fadas,não vou ter um "para sempre" no final, mesmo um infeliz final, que fosse eterno. Na última e derradeira página, não terá você.
     Então minha expectativa mais otimista é pensar que também sente minha falta,
e talvez chore,como eu, sem durmir essa noite.
     Sei que estou vazia,incompleta,errante...
     Sei que deito, de conchinha, sozinha, tentando sentir seu abraço.

  -Tchau...
  -Tchau!

     É a unica coisa que vem à cabeça, aquela palavra maldita, no sentido mais literal possível, forjada, naquele dia infausto....
     E eu penso em todo o discurso que fiz dentro de mim,na retórica irrepreensível que despejei consciência adentro,nas mil possibilidades...Proposta de casamento,declaração pública,ameaça de suicídio,sequestro,chantagem,qualquer coisa menos ortodoxa até...
     Mas não foi o que eu disse...Simplesmente não foi o que eu disse!

  -Tchau...
  -Tchau!

     Não adianta, não está mais aqui...tenho certeza!E embora a vontade teimosa e inocente me diga que você desistiu na ultima hora daquela idéia idiota de ficar longe,você se foi por um desacerto seu.
     E lembro que eu te disse que seria bem vindo,que te queria longe,que não te queria mais,mesmo que fosse mendacidade óbvia.Lembro que eu te disse mil "nãos" com vontade de sim...
     Mas você não pensa nisso agora, não pode lembrar do que eu não disse,e nem sequer sabe ou mede.
     Então, mais uma vez inundada por uma esperança pueril, jogo...rogo até por um deus que eu duvido.juro com olhos apertados e dedos juntos, que se pudesse voltar naquele momento, o que eu diria, o que eu digo, repetido, abafado,pedinte até,desesperado:

  -Perdoa-me pelo teu erro e simplesmente fica. Para sempre...

quarta-feira, 11 de maio de 2011

De uma maneira ou de outra, lembrei de você.

Eu costumo escrever de amor,
viver de amor, tudo assim, meio cor-de-rosa
como valsa, como bossa...

palavras voando...borboletas...
como as do estômago, só mais fulgazes...

hoje não, hoje vêm em marcha
tiros certeiros, tempo marcado
a caneta registra a mancada
vestida de sangue azul

o poema foi deposto
deu lugar ao desalinho
e eu não hesito nem rio,
nao vivo nem morro,
só escrevo.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Um Bom Vinho...

 Um bom vinho é sempre um bom vinho;se esperarmos envelhecer antes de consumi-lo por inteiro, melhor ainda.

 Pensei nisso quando vi você entrando pela porta daquele restaurante, com um Chardonnay. Engraçado lembrar que sempre tomamos vinhos...bons,ruins,baratos...sempre bebemos até esvaziar a garrafa e arremessa-la rua abaixo.E esse, era exatamente o meu medo... nunca soube se aguentaria esperar ver amadurecer os nós, antes de consumi-lo por inteiro, e sorver tudo que tinha de você para saber.




terça-feira, 3 de maio de 2011

volta e meia aparece
esse vazio turbulento em mim...
não sabia que o nada doía tanto,
e ocupava tanto espaço, e tempo...

volta e meia eu fico sem lugar dentro do prórpio corpo,
indo de canto a canto da cabeça,
procurando algo a me entreter,
e nada vem, e nada tem...

volta e meia dói, e eu nem sei onde
e eu corro e fujo
e nem sei de quê...é do nada então
maldito seja...

volta e meia eu esvazio o que sinto,
dou descarga, faço faxina,
vou lavando com lágrimas pesadas
detergentes...


pra provar esse nada mais uma vez...

quinta-feira, 28 de abril de 2011

ela gosta de ficar na janela...

do segundo, do primeiro...
do décimo segundo andar...
no escuro, no claro...
as pessoa, pela manhã
o vazio, a noite...
ela gosta de ficar na janela...
e criar um mundo que é só dela
e viver na janela,
que até no mundo que é só dela,
ela fica na tela..janela...
que lá ela nao vive...

domingo, 24 de abril de 2011

como dói ter controle...

hoje pela manhã,
quando acordei,
tomei café...o de sempre
li, vi tevê, me entreti com a internet
tudo 'mais do mesmo"
tive controle o dia inteiro...
fumei meu cigarro
anoiteci com o dia...
como em todos os outros anteriores...
procurei a lua....
tudo, "mais do mesmo"
hoje...
quando acordei,
tive controle, soube exatamente o que fazer...
hoje soube de tudo...e soube tudo que ia sentir...
tive o controle...
hoje eu soube de tudo,
soube quem ia ter de companhia,
quem ia estar comigo e como ia ser...
hoje, tive o controle...
sabia o que ia sentir....
dor, sua falta...e tudo e só isso...

hoje de manhã,
quando acordei..
sabia que estava sem você

sábado, 16 de abril de 2011

malditos espelhos feito de vidro,
malditos sentimentos feitos de vazio
ninguém vai entender meu frio,
ninguém vai afinar o fio...


mas vai cortar ainda assim,
 sempre vem em dia ruim,
eu conheço bem o seu suin,
nao vai te largar de mim...


apodrece e eu padeço,
sempre só o que mereço,
se é na dor que eu floresço,
sempre virá cobrar seu preço.







sábado, 9 de abril de 2011

estou novamente atada.

pela ausência do teu cheiro,

presa, tolhida, vedada,

sem rumo ou paradeiro.




claustrofóbica em meio a gente,

que nao tem teu aroma e tua voz.

me atenho ao pensamento latente,

acometido pelo desejo atroz.




pele e pelo eriçam-se,

rezam em súplica a lingua tua,

pernas pedintes enlaçam-se,

posto que a vontade é nua.



eu lhe rogo como for,

vem me tomar como quiser.

sem pecado ou sem pudor,

como puta ou tua mulher.



quarta-feira, 30 de março de 2011

a verdade de hoje?

desejo-te,entre minhas pernas...
faminto, lúbrico
bebendo, lânguido....

 a vontade de hoje?
quero-te na minha boca, entre lábios...
joelhos no chão,
pele e líquido....




desculpe, ainda te amo,
mas hoje, o cheiro pede mais que beijo
quer esfregar-se a matar a saudade por atrito.
no sexo...
e não na falta de nexo do romantismo

 a pele e o pêlo... são dados a vontades ,
não a sentimentalismo...
tantas foram as vezes
que eu tentei sair,
me vi mais presa,
mais escrava.
as lutas que travo
contra meu desejo,
já nascem perdidas.
e agora, eu só anseio,
pra que me ganhes,
que me tome...
como sua,para sempre.

quinta-feira, 24 de março de 2011

meus medos são âncoras hesitantes,
quando meus desejos, ondas indomáveis,
teimam esbaldar mar adentro meus pensamentos...

então titubeio, precaução de quem é prudente,
mas a vontade ,uivante, perturba, insiste,
e eu... cedo, porque sou fraca...
fraca  como quem
pouco quer dizer não a esse erro....

quarta-feira, 16 de março de 2011

claro que sim,
claro que dói...
e muito...

só precisava desabafar
porque eu tô cansada de bancar a forte
e fingir que eu não me importo...

terça-feira, 15 de março de 2011

1,2,3 tragos
vai dando espaço pro isqueiro
põe o isqueiro no maço
e dana de falar....
a gente conversa, e só conversa...
sentados, colados, meio que quando não se quer mais separar...
e conversamos...sobre o quê?
sobre tudo, tudo é leve...tudo leva a boa conversa
a gente se ri, ou chora junto...que seja
ou reclama da vida...mas rindo...
a calmaria bate suave,
e canta p'ra gente que é tempo de ficar...juntos...
sempre é...




até a cama,
na cama é sexo, dos urgentes...
de corpos famintos pelo cheiro, pelo tato,
pela saliva do outro...
e a gente transa,cruza, faz amor...
se é com você...tanto faz o nome...
e não se para...e não separa....




e termina num abraço,
no "eu te amo' depois de foder, que seja,
a gente ri, até do velho a gente fala...e ri mais um pouco....




mas de manhã os medos vêm para o café,
eu nunca fui muito de confiar...
nem menos no que é bom e feliz...
nisso confio menos ainda....
e os medos vêm...com novos cigarros
e eu?
vou embora depois de gozar....










segunda-feira, 14 de março de 2011

estou em branco
feito paredes, brancas
de modo que possa pintar de qualquer cor...
de um jeito em que nada escrevo,nada crio

estou em branco, estou nada
estou ninguém...estou só
só porque,
você não está aqui
a madrugada vestiu-se do frio
da minha alma melindrosa
do infortúnio, um arrepio.
vinho, areia e prosa.

ia e vinha ,sem calar
numa necessidade urgente,
não,não era  onda do mar,
era minha vontade latente

e ao acordar estremecido,
do seco vermelho, da boca
favoreceu pois a libido
e a razão  a ficar rouca

diabo vendido, vontade comprada
pus-me em bossa, perna aberta
vou-me pois, alma caçada
pôr o corpo em descoberta

 tu, que lê meu corpo carente
do teu sexo,teu toque, de ti
confesso meu amor, insolente
 foi por isso que fugi...






segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

coisas antigas...

quando vc se foi,
metade de mim se esfacelou no chão...
desgastando durante as pisadas do caminhar cansado,
triste e apático que vc me causou....

e o que sobrou foi essa sombra desconfiada...
essa metade estatelada, na esquina...
hora bêbada,hora embebida em coerencia,
eu só falava e nada dizia...a razão esmaeceu comigo...

vendendo, vendida...
a metade mais barata do mercado popular...
que se ganha por qualquer abraço,
jura curta, verso pobre...
e que some com o amanhecer da realidade
que a sua ausência deixou pra me embebedar...

sábado, 19 de fevereiro de 2011

estou densa...densa e rasa,de maneira que nem sei...
confusa,inundada....
de paz e de desassossegos....
estou sentada a mesa e não me sirvo de coisa alguma.
mas observo..
.os cheiros...as pessoas...os gestos...
por isso, o silencio me grita...
a ruga que sustenta-se em versos...
acordes contidos na corda...da graganta
um pensamento, um borrão...canetas e voz...
palavras errantes, suspiros certeiros...
estou calma e turbulenta,
estou seca e molhada...
de suor e de zelo,
de marés e fortunios...
estou viva em você.
estou oceano...
imprevisível e maré,
calma e calmante.
nada mais,
sua amante...




Vão dizer que eu sou boba,
romantica e tudo mais...
mas ou você é um poeta,
ou o amor faz ver poesia
em tudo que você faz...



 



  

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

vez em sempre ela sente vontade de sair...
deixar a outra trancada...em seu lugar de boa, melhor...
sempre vêm depois das 23...e duas taças a mais...

e diz:
querido...eu te entretenho...te tenho...
decifra-me, devoro-te
duvido me ler até o final....

senta aqui, sinta-se a vontade,
vou embora quando terminar...
não nasci para fazer você amar...

mas você vai rir como ninguém
sentir como ninguém...
vamos aproveitar a noite???


alita, sinto sua falta...que bom te ver de volta....

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

sei lá...ando com mania de achar que a cama não encaixa mais com meu corpo quando não tem teu peito pra me amparar...

sei lá...ando achando que preciso de porto, e que minhas palavras não saem com gosto, quando não têm tua bossa pra musicar...

domingo, 16 de janeiro de 2011

quando você esta ávido por certezas...só encontra dúvidas e verdades solutas
quando está ávido por amor...só há de viver dor e indiferença...
e quando está ávido por percorrer caminhos longos e soitários,
num paradoxo joco, próprio dessa nossa vida,
eis que encontra bons parceiros de viagens...e de danças....

mas eu já não sei o que é avidez...ou pelo menos minto bem assim...
digo assim,de canto de boca,como quem já cansou de (ch)orar e sorrir
e agora não quer sentir mais nada que é fugaz....
 mesmo que não seja verdade...

sábado, 15 de janeiro de 2011

desabafo...e só

nossa relação,faz um tempo...
não é saudavél quanto deveria
e eu jurei que não choraria mais
quando eu sentisse teu fel
mas depois de 22 eu confesso,
ainda dói quando escuto
suas palavras ruins...
quando sinto suas atitudes vis
vai ver que é porque eu sempre achei
que teu papel era me proteger e não me doer...
não sei mais se algum homem pode prestar
se nem você se prestou a ser esse papel
de hommem mais importante da minha vida,pai.

domingo, 9 de janeiro de 2011

ando muda e dissimulada

catando pedras falsas
inventando estrada

tenho medo de falar o que sinto
e mais um tanto que sinto já não tenho vontade
presumindo que me salvo de mim mentindo
tremo e corro quando falo a verdade

então fico bem nas metáforas
e no confortável campo das possibilidades
que eu sou meio dada a dizer sentimentos
e a gritar alto pluralidades

estranho é quando todo mundo diz
que sabe e é óbvio demais
eu corro rápido e corro muito
que minha vulnerabilidade é fulgaz


´Me entende, eu não quis, eu não quero, eu sofro, eu tenho medo, me dá a tua mão, entende, por favor. Eu tenho medo, merda!Ontem chorei. Por tudo que fomos. Por tudo o que não conseguimos ser. Por tudo que se perdeu. Por termos nos perdido. Pelo que queríamos que fos...se e não foi. Pela renúncia. Por valores não dados. Por erros cometidos. Acertos não comemorados. Palavras dissipadas.Versos brancos. Chorei pela guerra cotidiana. Pelas tentativas de sobrevivência. Pelos apelos de paz não atendidos. Pelo amor derramado. Pelo amor ofendido e aprisionado. Pelo amor perdido. Pelo respeito empoeirado em cima da estante. Pelo carinho esquecido junto das cartas envelhecidas no guarda- roupa. Pelos sonhos desafinados, estremecidos e adiados. Pela culpa. Toda a culpa. Minha. Sua. Nossa culpa. Por tudo que foi e voou. E não volta mais, pois que hoje é já outro dia. Chorei. Apronto agora os meus pés na estrada. Ponho-me a caminhar sob sol e vento. Vou ali ser feliz e já volto.´
caio fernando abreu

domingo, 2 de janeiro de 2011

viver,simplesmente viver...

quando se trata de sentimentos,
eu sempre peço mais um gole....

 o pior disso tudo?
eu NUNCA noto quando estou de porre....


estou livre para abusar dos erros e dos arrependimentos....
e quero, pois sim, aproveitar TODOS os momentos felizes que essa liberdade me proporciona....XD