eu sempre hesitem entrar no tablado
já fui o bêbado e a equilibrista
fui fazer fama de artista
entre o bem e o mal amado
teatro adentro conheci amor
de shakespeares e de cecilias
vi do oriente,mil maravilhas
provei veneno,traição e dor
mas foi em um sorriso ator
que fiz morada verdadeira
e fiz de minha arte, a primeira
como um verso redentor
quando ao fim do terceiro ato
era ele o herói envenenado,
supus a morte do amado
e veio em mim o desbarato
num rompante de choro
fui eu quem chamei o pranto
mas o artista era tanto
que a morte aplaudiram em coro
foi tamanho o desalinho
que atirei-me janela ao chão
tamanha a queda que então
provei da vida descaminho
mas era cena de sofista
morte em ato consumado
e meu amor já prostrado
era mácula de artista
domingo, 11 de setembro de 2011
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
mesa de bar, mulherão...
Sexta feira, bar da esquina, junta todo tipo de gente, de objetivo, de moda, de prosa...Eu sentada, relaxada, moletom e idéias pra esquecer.
O cara do lado conversa com o amigo:
-E aquela ellen roche hein, mulherão....
peitão, bundão...
Eu posso ouvir o comentário silencioso da mente da garçonete que serve a mesa:
-Mulherão sou eu que trabalho de segunda a segunda, arrumada, cabelo feito, unha bonita.
Do outro lado do bar a discussão de relação esquenta entre um casal:
-Mas amor, ela foi só um caso, um casinho...é você quem me vê todos os dias, quem faz minha comida,
dona da minha casa, cuida dos meus filhos.ela era um Mulherão, não consegui resistir...
E o justificador do injustificável nem sequer olha pra sua simplória esposa, enquanto
seca com os olhos (e com os desejos...) a mulher na mesa à esquerda.
Essa, por sua vez, atualiza a amiga animada de suas peripécias amorosas:
-Falei na cara, amiga, falei que dei pro ricardo sim, que o ricardo me comia direito,
que eu sou mulher e preciso de sexo, e sempre...E que ele devia aceitar o chifre como
aviso e como prova de amor, afinal, ainda estou com ele.
-Amiga, eu te admiro. Você é que é mulher,que admite seus desejos, vai atrás..Ah,eu com
essa coragem...
O amigo das duas, colega de empresa, em pleno happy hour, tenta cortejar uma terceira na mesa, um
esteriótipo comum, corpo escultural, burrinha burrinha...
-Mas você é uma cavala, um mulherão,cara de fatal, nunca vi uma mulher tão sedutora quanto você.
E a burrinha, ri toda prosa do pífio cortejo.
Eu, que continuo, na mesa, cerveja e cervejas, vou pensando e rindo:
-Mulherão sou eu! que tento ficar bonita, cuido de casa, trabalho e trabalho,
admito e sigo os meus desejos, não fico sem sexo, e com a cabeça cheia de idéias.
-Mulherão são anônimas (ou não),lindas, bem cuidadas,profissionais, cheias de desejos
na pele, e idéias na cabeça...e nenhuma, nenhuma mesmo, vocação pra aguentar
homem idiota do lado!
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
esperança fraquejou
não fui eu quem errou
mas a premissa não satisfez
desse tanto que desfez
tanto poeta foi, que calou
não entenda como breve
pouco fiz que tudo dei
e se em pouco exitei
é o mal de quem se atreve
desalinho, tende piedade
quem treme espera afago!
falta é nó que não desfaz
tende ao vazio como pressago
lança-me ao precipício,bom rapaz
àdeus..inferno, céu e saudade
mas a premissa não satisfez
desse tanto que desfez
tanto poeta foi, que calou
não entenda como breve
pouco fiz que tudo dei
e se em pouco exitei
é o mal de quem se atreve
desalinho, tende piedade
quem treme espera afago!
falta é nó que não desfaz
tende ao vazio como pressago
lança-me ao precipício,bom rapaz
àdeus..inferno, céu e saudade
domingo, 24 de julho de 2011
te amo
você nunca vai entender
também não vou medir
não vou saber
pedimos desculpas em vão
pensamos,e pensamos que pensamos
no final,é só sentir
administramos distâncias de perto
silenciamos ao berros
mas eu ainda te amo
e eu só te amo...
queria que soubesse,mesmo quando não quero te dizer...
também não vou medir
não vou saber
pedimos desculpas em vão
pensamos,e pensamos que pensamos
no final,é só sentir
administramos distâncias de perto
silenciamos ao berros
mas eu ainda te amo
e eu só te amo...
queria que soubesse,mesmo quando não quero te dizer...
quinta-feira, 16 de junho de 2011
Anestesia
muito lirismo
pouca poesia
não há o que sentir
anestesia
o ministério da saúde adverte:
a dependência de solidão causa
tristeza, dor e morte...
pouca poesia
não há o que sentir
anestesia
o ministério da saúde adverte:
a dependência de solidão causa
tristeza, dor e morte...
sábado, 11 de junho de 2011
metade
todo mundo obcecado pelo todo
passa parte do tempo se perdendo, sem lugar
e tem no medo um dedo de certeza
de não ter beira,nem lugar
tudo é uma parte, um terço
um quê a procurar
a parte da metade sincera
do vazio que alguém quis furtar
metade sentimento,
metade a se pensar
metade o que se ama,
metade o que amar
eu não sou cara nem coroa,
tudo é velho demais
um bom livro, uma mentira,
um truque por trás
o tanto que ficou foi verdade
a outra parte também
a mentira uma metade
eu sou quem vê além...
passa parte do tempo se perdendo, sem lugar
e tem no medo um dedo de certeza
de não ter beira,nem lugar
tudo é uma parte, um terço
um quê a procurar
a parte da metade sincera
do vazio que alguém quis furtar
metade sentimento,
metade a se pensar
metade o que se ama,
metade o que amar
eu não sou cara nem coroa,
tudo é velho demais
um bom livro, uma mentira,
um truque por trás
o tanto que ficou foi verdade
a outra parte também
a mentira uma metade
eu sou quem vê além...
metade sentimento,
metade a se pensar
metade o que se ama,
metade quem quer amar
eu sou um homem qualquer,
uma sarjeta, uma mulher
eu sou um homem qualquer,
uma sarjeta, uma mulher
no final, não sou ninguém além
do que qualquer um pode dar também
sábado, 4 de junho de 2011
Janela
-Tchau...
-Tchau!
Não são muitas histórias que começam assim,pelo fim...
Mas que história? Sou eu, sentada, quatro da manhã,
falando sozinha, usando um sorriso de desespero p'ra amparar as lágrimas,um travesseiro com teu cheiro p'ra acalmar a falta...
Você não virá,se foi...se foi mesmo!você realmente entrou no avião e não vai chegar na minha porta e dizer que foi tudo uma brincadeira.
Não sei porque olho pela janela então, e penso,e forço.Tento te ver na sombra, no andar de longe, na possibilidade,pouco provável...e eu, matemática,saberia,mas não penso,sem você nada é exato, nem sutil, nem nada.
Não é um conto de fadas,não vou ter um "para sempre" no final, mesmo um infeliz final, que fosse eterno. Na última e derradeira página, não terá você.
Então minha expectativa mais otimista é pensar que também sente minha falta,
e talvez chore,como eu, sem durmir essa noite.
Sei que estou vazia,incompleta,errante...
Sei que deito, de conchinha, sozinha, tentando sentir seu abraço.
-Tchau...
-Tchau!
É a unica coisa que vem à cabeça, aquela palavra maldita, no sentido mais literal possível, forjada, naquele dia infausto....
E eu penso em todo o discurso que fiz dentro de mim,na retórica irrepreensível que despejei consciência adentro,nas mil possibilidades...Proposta de casamento,declaração pública,ameaça de suicídio,sequestro,chantagem,qualquer coisa menos ortodoxa até...
Mas não foi o que eu disse...Simplesmente não foi o que eu disse!
-Tchau...
-Tchau!
Não adianta, não está mais aqui...tenho certeza!E embora a vontade teimosa e inocente me diga que você desistiu na ultima hora daquela idéia idiota de ficar longe,você se foi por um desacerto seu.
E lembro que eu te disse que seria bem vindo,que te queria longe,que não te queria mais,mesmo que fosse mendacidade óbvia.Lembro que eu te disse mil "nãos" com vontade de sim...
Mas você não pensa nisso agora, não pode lembrar do que eu não disse,e nem sequer sabe ou mede.
Então, mais uma vez inundada por uma esperança pueril, jogo...rogo até por um deus que eu duvido.juro com olhos apertados e dedos juntos, que se pudesse voltar naquele momento, o que eu diria, o que eu digo, repetido, abafado,pedinte até,desesperado:
-Perdoa-me pelo teu erro e simplesmente fica. Para sempre...
-Tchau!
Não são muitas histórias que começam assim,pelo fim...
Mas que história? Sou eu, sentada, quatro da manhã,
falando sozinha, usando um sorriso de desespero p'ra amparar as lágrimas,um travesseiro com teu cheiro p'ra acalmar a falta...
Você não virá,se foi...se foi mesmo!você realmente entrou no avião e não vai chegar na minha porta e dizer que foi tudo uma brincadeira.
Não sei porque olho pela janela então, e penso,e forço.Tento te ver na sombra, no andar de longe, na possibilidade,pouco provável...e eu, matemática,saberia,mas não penso,sem você nada é exato, nem sutil, nem nada.
Não é um conto de fadas,não vou ter um "para sempre" no final, mesmo um infeliz final, que fosse eterno. Na última e derradeira página, não terá você.
Então minha expectativa mais otimista é pensar que também sente minha falta,
e talvez chore,como eu, sem durmir essa noite.
Sei que estou vazia,incompleta,errante...
Sei que deito, de conchinha, sozinha, tentando sentir seu abraço.
-Tchau...
-Tchau!
É a unica coisa que vem à cabeça, aquela palavra maldita, no sentido mais literal possível, forjada, naquele dia infausto....
E eu penso em todo o discurso que fiz dentro de mim,na retórica irrepreensível que despejei consciência adentro,nas mil possibilidades...Proposta de casamento,declaração pública,ameaça de suicídio,sequestro,chantagem,qualquer coisa menos ortodoxa até...
Mas não foi o que eu disse...Simplesmente não foi o que eu disse!
-Tchau...
-Tchau!
Não adianta, não está mais aqui...tenho certeza!E embora a vontade teimosa e inocente me diga que você desistiu na ultima hora daquela idéia idiota de ficar longe,você se foi por um desacerto seu.
E lembro que eu te disse que seria bem vindo,que te queria longe,que não te queria mais,mesmo que fosse mendacidade óbvia.Lembro que eu te disse mil "nãos" com vontade de sim...
Mas você não pensa nisso agora, não pode lembrar do que eu não disse,e nem sequer sabe ou mede.
Então, mais uma vez inundada por uma esperança pueril, jogo...rogo até por um deus que eu duvido.juro com olhos apertados e dedos juntos, que se pudesse voltar naquele momento, o que eu diria, o que eu digo, repetido, abafado,pedinte até,desesperado:
-Perdoa-me pelo teu erro e simplesmente fica. Para sempre...
quarta-feira, 11 de maio de 2011
De uma maneira ou de outra, lembrei de você.
Eu costumo escrever de amor,
viver de amor, tudo assim, meio cor-de-rosa
como valsa, como bossa...
palavras voando...borboletas...
como as do estômago, só mais fulgazes...
hoje não, hoje vêm em marcha
tiros certeiros, tempo marcado
a caneta registra a mancada
vestida de sangue azul
o poema foi deposto
deu lugar ao desalinho
e eu não hesito nem rio,
nao vivo nem morro,
só escrevo.
viver de amor, tudo assim, meio cor-de-rosa
como valsa, como bossa...
palavras voando...borboletas...
como as do estômago, só mais fulgazes...
hoje não, hoje vêm em marcha
tiros certeiros, tempo marcado
a caneta registra a mancada
vestida de sangue azul
o poema foi deposto
deu lugar ao desalinho
e eu não hesito nem rio,
nao vivo nem morro,
só escrevo.
terça-feira, 10 de maio de 2011
Um Bom Vinho...
Um bom vinho é sempre um bom vinho;se esperarmos envelhecer antes de consumi-lo por inteiro, melhor ainda.
Pensei nisso quando vi você entrando pela porta daquele restaurante, com um Chardonnay. Engraçado lembrar que sempre tomamos vinhos...bons,ruins,baratos...sempre bebemos até esvaziar a garrafa e arremessa-la rua abaixo.E esse, era exatamente o meu medo... nunca soube se aguentaria esperar ver amadurecer os nós, antes de consumi-lo por inteiro, e sorver tudo que tinha de você para saber.

Pensei nisso quando vi você entrando pela porta daquele restaurante, com um Chardonnay. Engraçado lembrar que sempre tomamos vinhos...bons,ruins,baratos...sempre bebemos até esvaziar a garrafa e arremessa-la rua abaixo.E esse, era exatamente o meu medo... nunca soube se aguentaria esperar ver amadurecer os nós, antes de consumi-lo por inteiro, e sorver tudo que tinha de você para saber.

terça-feira, 3 de maio de 2011
volta e meia aparece
esse vazio turbulento em mim...
não sabia que o nada doía tanto,
e ocupava tanto espaço, e tempo...
volta e meia eu fico sem lugar dentro do prórpio corpo,
indo de canto a canto da cabeça,
procurando algo a me entreter,
e nada vem, e nada tem...
volta e meia dói, e eu nem sei onde
e eu corro e fujo
e nem sei de quê...é do nada então
maldito seja...
volta e meia eu esvazio o que sinto,
dou descarga, faço faxina,
vou lavando com lágrimas pesadas
detergentes...
pra provar esse nada mais uma vez...
esse vazio turbulento em mim...
não sabia que o nada doía tanto,
e ocupava tanto espaço, e tempo...
volta e meia eu fico sem lugar dentro do prórpio corpo,
indo de canto a canto da cabeça,
procurando algo a me entreter,
e nada vem, e nada tem...
volta e meia dói, e eu nem sei onde
e eu corro e fujo
e nem sei de quê...é do nada então
maldito seja...
volta e meia eu esvazio o que sinto,
dou descarga, faço faxina,
vou lavando com lágrimas pesadas
detergentes...
pra provar esse nada mais uma vez...
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