Estamos acostumados. Preto no branco, mais fácil de ler. Todos somos um pouco juízes. Condenando.
O mais engraçado é que você cresce e percebe que um julgamento é sempre um equívoco. Mas todos estão catando anjos e demônios para figurar um julgamento final.
Na política, nas religiões, na vida.
E pior, quando você cresce percebe que os demônios, os julgados, os enforcados, muitas vezes foram apenas aqueles que deram a cara a tapa, que jogaram menos, que não gastaram tempo acusando alguém do mal que se faz, não se vitimizaram.
Dai, depois disso, você tem duas escolhas: continuar sendo parte do jogo e tentando mostrar o quão bom você é e foi.
Ou cagar e ter sua foto num cartaz de procurado.
E para quem julga, que geralmente está de fora e sabe só uma parte (e partes não podem ser imparciais), como escolher? Não escolhendo, talvez. Não enxergando em si uma grandeza que não se tem.
Gastar os dias pensando apenas no que quer ou não para a vida. Quero ser homossexual, isso funciona para mim, meu vizinho não tem nada haver com isso. Não quero amigos gays, funciona melhor para mim, a sociedade não tem nada haver com isso, desde que eu não seja babaca de incitar o ódio por aí.
Não, eu não acredito em felicidade, não busco mais para mim, vivo assim e é uma escolha minha. Mas vai lá, pode ser feliz.
Não, eu não confio nos seres humanos, eu já fui feita de idiota e a grande maioria das pessoas que me rodeiam nem sabem, me jogam na fogueira e eu aceito. De gente idiota, quero só as vaias. Me economiza tempo.
E esse é um dos motivos pelos quais eu não postei mais aqui. Não quero fazer das minhas palavras, dessa minha paixão, um relatório judicial para alguém procurar vítimas e culpas.
Ninguém sabe mas esse blog chegou a ser hackeado para lerem meus rascunhos. Não, foi mal, mas não.
Nunca escrevi para alguém ler, sempre foi para mim. E o melhor lugar para guardar isso é a minha própria mente. Nada contra, mas eu nunca precisei de platéia para gostar do meu show.
segunda-feira, 21 de março de 2016
domingo, 9 de novembro de 2014
sonhei com barcos navegantes,
braços teus e embalantes.
eu sinto o cheiro da sua voz.
no meu corpo a sua temperatura,
tão anti-natural e eu me ria,
do seu afago feito quem me chocava.
frios estavam todo o resto,
mesmo além daquelas águas,
e eu mulher valente , agora menina.
sonhei que você me cuidava.
braços teus e embalantes.
eu sinto o cheiro da sua voz.
no meu corpo a sua temperatura,
tão anti-natural e eu me ria,
do seu afago feito quem me chocava.
frios estavam todo o resto,
mesmo além daquelas águas,
e eu mulher valente , agora menina.
sonhei que você me cuidava.
poesia de um amor vulgar
creio que esteja tudo como antes,
nunca calmo, nunca claro.
sem muitas rimas,errando no nexo,
nada muito comun, embora corriqueiro.
eu ainda estou molhada pensando em você,
antes eram os dedos,os lençois de outrora,
nomeados como nossos amantes,
nossas embriagueses de falta de censo.
agora são os olhos, descrentes,
desplicentes,
marcando com melancolia as vississitudes da vida,
que cisma desencontrar almas encontradas.
domingo, 2 de novembro de 2014
verbo
Muda,
e tu a me regar, feito planta.
Falo,
ereto era o tom da voz que empunhas.
Cria,
daquele diálogo que não tivemos,
Feito.
e indizível não fazia rima.
(porque eu sou aquilo que eu não falo,
e você me diz muito...sabia?)
e tu a me regar, feito planta.
Falo,
ereto era o tom da voz que empunhas.
Cria,
daquele diálogo que não tivemos,
Feito.
e indizível não fazia rima.
(porque eu sou aquilo que eu não falo,
e você me diz muito...sabia?)
Agora não.
Estou mergulhada em dois copos
um meio cheio e um meio vazio,
nos dois, me afogo.
tudo me falta naquilo que me excede,
por que?
porque não importa de que eu esteja falando,
eu sou e não sou nada disso.
sou um distúrbio de mim mesma,
um autoflagelo meio altruísta.
escrevo textos para mim,
e dou para os outros lerem.
eles me dizem o que acham,
eu não lhes digo nada sobre o que sou.
e eu nem sei.
dou minha cabeça numa bandeja todos os dias,
mesmo servindo-a para quem me detesta.
afasto-me aos poucos do que gosto.
Fria como a sombra.
tenho medo?
tenho algo?
tenho que saber as minhas respostas,
você pode me dize-las?
agora não.
um meio cheio e um meio vazio,
nos dois, me afogo.
tudo me falta naquilo que me excede,
por que?
porque não importa de que eu esteja falando,
eu sou e não sou nada disso.
sou um distúrbio de mim mesma,
um autoflagelo meio altruísta.
escrevo textos para mim,
e dou para os outros lerem.
eles me dizem o que acham,
eu não lhes digo nada sobre o que sou.
e eu nem sei.
dou minha cabeça numa bandeja todos os dias,
mesmo servindo-a para quem me detesta.
afasto-me aos poucos do que gosto.
Fria como a sombra.
tenho medo?
tenho algo?
tenho que saber as minhas respostas,
você pode me dize-las?
agora não.
sábado, 4 de outubro de 2014
Cristalina
Clara, invertida, variável.
Mostro tudo, mostro nada,
tenho a face que você tiver.
Sou óbvia, imprevisível.
Sou mutante,e até nisso, mutável.
Digo sempre, mesmo calada.
Calo muito, mesmo gritando.
Há sempre um tanto que eu não digo.
Há muito em mim e no entanto, nadam.
Morro na praia,dançando,
Só para morrer mais uma vez.
Persisto porque só sei persistir.
Então, sou isso.
É fácil me conter, mas agitada,
não caibo no mundo.
Sou água.
"Sunset over the ocean" de M. Iordache
Mostro tudo, mostro nada,
tenho a face que você tiver.
Sou óbvia, imprevisível.
Sou mutante,e até nisso, mutável.
Digo sempre, mesmo calada.
Calo muito, mesmo gritando.
Há sempre um tanto que eu não digo.
Há muito em mim e no entanto, nadam.
Morro na praia,dançando,
Só para morrer mais uma vez.
Persisto porque só sei persistir.
Então, sou isso.
É fácil me conter, mas agitada,
não caibo no mundo.
Sou água.
"Sunset over the ocean" de M. Iordache
quinta-feira, 2 de outubro de 2014
Ruído
inacreditavelmente vivo.
zumbizando meu sentido.
confundiu o confundido.
na verdade é a mentira,
na batalha , a mão amiga.
ruído sou eu,
e
estou roída.
zumbizando meu sentido.
confundiu o confundido.
na verdade é a mentira,
na batalha , a mão amiga.
ruído sou eu,
e
estou roída.
terça-feira, 5 de agosto de 2014
Risco
Matematicamente calculado,
embora não soubesse de nada,
como as voltas de um quadril em sexo.
Foi o passo entre a vida e o vício,
decidido, vivido ou adiado.
é aquilo medido como um cisco.
risco
é o fósforo na lixa.
sou eu, como bicho,
envolta na dança do desejo,
não penso, só persisto.
risco,
se quero, logo insisto.
risco
é o fosforo na lixa.
embora não soubesse de nada,
como as voltas de um quadril em sexo.Foi o passo entre a vida e o vício,
decidido, vivido ou adiado.
é aquilo medido como um cisco.
risco
é o fósforo na lixa.
sou eu, como bicho,
envolta na dança do desejo,
não penso, só persisto.
risco,
se quero, logo insisto.
risco
é o fosforo na lixa.
quarta-feira, 30 de julho de 2014
Vencedor...
Não tente me vencer...
Eu já fui Vencida,
por isso,
SOU invencível...
por w.o.
por nocaute e por qualquer outra covardia...
Eu já fui Vencida,
por isso,
SOU invencível...
por w.o.
por nocaute e por qualquer outra covardia...
segunda-feira, 21 de julho de 2014
Sobre a desordem literária que toma conta desse blog...
eu ando sincera....numa literatura errada,
numa sentença redundante,
nesta e naquela rima errante.
nao tem poema, nem conto,
ninguém mede a metro o tempo.
das palavras e dos encontros,
no discurso e no papel.
é tudo poesia de buteco.
é, eu ando sincera...
e os imortais tiveram um treco.
caiu a farsa, caiu a regra.
não sou poeta, sou sentimento.
terça-feira, 24 de junho de 2014
Sobre ela
Eu fico pensando assim,
O que difere ela de mim,
Se todos tem um dia ruim,
E sempre é perto do fim.
Digo da minha insensatez,
de surto em surto e mais uma vez,
ela tenha mais razão que eu,talvez
Não seria segredo não,
Mudar de ideia e de antemão.
ter medo de ficar só.
O que difere ela de mim,
Se todos tem um dia ruim,
E sempre é perto do fim.
Digo da minha insensatez,
de surto em surto e mais uma vez,
ela tenha mais razão que eu,talvez
Não seria segredo não,
Mudar de ideia e de antemão.
ter medo de ficar só.
quinta-feira, 5 de junho de 2014
sobre o gosto
tem sempre o mesmo gosto,
esta cada dia mais gasto.
se todo dito pouco aposto,
a cada dia, menos gosto.
maldisposto.
exposto,
desgosto.
morre,
decomposto.
esta cada dia mais gasto.
se todo dito pouco aposto,
a cada dia, menos gosto.
maldisposto.
exposto,
desgosto.
morre,
decomposto.
Há casos
Mais por acaso que forte,
um caso de morte,
sem morrer.
constantemente, repouso,
como quem dorme acordada,
pra poder viver.
queria que você me lesse,
como só você sabe ler.
um caso de morte,
sem morrer.
constantemente, repouso,
como quem dorme acordada,
pra poder viver.
queria que você me lesse,
como só você sabe ler.
segunda-feira, 28 de abril de 2014
Etilicíclico
dando voltas,
está minha cabeça,
e meu velho discurso.
me perco sempre por mim mesma,
porque só sei me perder.
a facada vem sempre da minha mão
e a dor que estanca é só para saber,
que haverá uma próxima vez.
doeu hoje, doerá amanhã também.
quando você me achar,
será que eu ainda vou estar...?
acho que não.
eu gritei,
eu falei.
ninguém achou o que eu enterrei,
o que eu fiz se perder,
não tem mais valor
agora que eu já...
sempre tem uma próxima vez,
um único e último
suspiro.
tudo é vício
e tudo é vida
até quando
sou vontade,
e sua falta.
morta.
está minha cabeça,
e meu velho discurso.
me perco sempre por mim mesma,
porque só sei me perder.
a facada vem sempre da minha mão
e a dor que estanca é só para saber,
que haverá uma próxima vez.
doeu hoje, doerá amanhã também.
quando você me achar,
será que eu ainda vou estar...?
acho que não.
eu gritei,
eu falei.
ninguém achou o que eu enterrei,
o que eu fiz se perder,
não tem mais valor
agora que eu já...
sempre tem uma próxima vez,
um único e último
suspiro.
tudo é vício
e tudo é vida
até quando
sou vontade,
e sua falta.
morta.
quinta-feira, 10 de abril de 2014
Requiescat
e quanto a mim,
tive ao meu jeito,
um novo amor,
um bom respeito.
um grande olhar,
um novo rumo,
de me orgulhar,
encher de aprumo.
mas tive faltas,
dessas enfim,
algumas altas,
outras assim.
de cansaço,
e já no fim,
arrependi-me,
e morri de mim.
p.s.:
Certeza de que que alguém vai achar alguma merda a respeito disso.
Aliás, alguém sempre acha alguma merda a respeito de tudo,
por mais que eu insista em dizer que não.
Eu já estava mesmo disposta a não mais escrever.
Acho que o objetivo subverteu-se a tempos.
Enfim, hoje tive vontade de escrever,
e hoje não tive vontade de mais nada além disso.
Então,
Achem o que quiserem... fodam-se
tive ao meu jeito,
um novo amor,
um bom respeito.
um grande olhar,
um novo rumo,
de me orgulhar,
encher de aprumo.
mas tive faltas,
dessas enfim,
algumas altas,
outras assim.
de cansaço,
e já no fim,
arrependi-me,
e morri de mim.
p.s.:
Certeza de que que alguém vai achar alguma merda a respeito disso.
Aliás, alguém sempre acha alguma merda a respeito de tudo,
por mais que eu insista em dizer que não.
Eu já estava mesmo disposta a não mais escrever.
Acho que o objetivo subverteu-se a tempos.
Enfim, hoje tive vontade de escrever,
e hoje não tive vontade de mais nada além disso.
Então,
Achem o que quiserem... fodam-se
sábado, 4 de janeiro de 2014
O que parece ser? desabafo,dúvidas, desalinho.
ando em dúvidas,
e em círculos.
todas as minhas palavras parecem cair num abismo de passos
que tendem a descontinuar.
uma morte anunciada das ideias, das rimas, do que deva ou não ser dito para fora.
ando pensando,
ainda escrevo, é preciso.
ou isso ou sufoco.
mas continuo com o blog?
continuo a publicar?
catei coisas antigas,
escrevi outras tantas,
exitem coisas não vistas,
mas devem?
é só um devaneio,
mas alguns textos me parecem tão mais do mesmo,
outros,por outro lado, diferente de quase tudo,
e parecem tão meus.
alguns tem até seus donos, e seus caminhos,
mas permanecem parados,
porque? não sei,bem.
falta de impeto?
excesso de cautela?
marasmo meu?
talvez eu finalmente tenha aprendido a silenciar,
depois de anos de gritos e turbulências,
e meu futuro como escritora/poeta amadora seja o preço a ser pago por isso.
aprendi a guardar para mim.
e agora?
e em círculos.
todas as minhas palavras parecem cair num abismo de passos
que tendem a descontinuar.
uma morte anunciada das ideias, das rimas, do que deva ou não ser dito para fora.
ando pensando,
ainda escrevo, é preciso.
ou isso ou sufoco.
mas continuo com o blog?
continuo a publicar?
catei coisas antigas,
escrevi outras tantas,
exitem coisas não vistas,
mas devem?
é só um devaneio,
mas alguns textos me parecem tão mais do mesmo,
outros,por outro lado, diferente de quase tudo,
e parecem tão meus.
alguns tem até seus donos, e seus caminhos,
mas permanecem parados,
porque? não sei,bem.
falta de impeto?
excesso de cautela?
marasmo meu?
talvez eu finalmente tenha aprendido a silenciar,
depois de anos de gritos e turbulências,
e meu futuro como escritora/poeta amadora seja o preço a ser pago por isso.
aprendi a guardar para mim.
e agora?
quinta-feira, 18 de julho de 2013
Mãos soltas
Mãos delicadas apertam sublimemente um rosto apavorado.
Esses são dias que se seguem pós furacão.
Na memória,
um caos desgastado, um sentimento de fuga,embaralhado.
Sempre só,
o medo me sorri, e eu hei de rir de volta.
Se não hoje,
amanhã.
Tremulamente alguém ensaia uma meia volta mas segue em frente.
Está tudo derrubado,
faz frio,
mas não há chances de errar.
Há apenas um caminho, e deve, dizem, ser o certo.
Em resposta a todo o resto há um :NÃO MAIS.
E não há mais coisa alguma.
O vigor dos braços inúteis há de aparecer(e permanecer) enquanto é preciso,
Reconstruir, Criar do novo,
Onde não há mais nada.
Esses são dias que se seguem pós furacão.
Na memória,
um caos desgastado, um sentimento de fuga,embaralhado.
Sempre só,
o medo me sorri, e eu hei de rir de volta.
Se não hoje,
amanhã.
Tremulamente alguém ensaia uma meia volta mas segue em frente.
Está tudo derrubado,
faz frio,
mas não há chances de errar.
Há apenas um caminho, e deve, dizem, ser o certo.
Em resposta a todo o resto há um :NÃO MAIS.
E não há mais coisa alguma.
O vigor dos braços inúteis há de aparecer(e permanecer) enquanto é preciso,
Reconstruir, Criar do novo,
Onde não há mais nada.
há de ser fácil pra mim também.
quinta-feira, 6 de junho de 2013
Divagações
NÃO SOU ARTISTA/ESCRITORA/DESENHISTA/COMPOSITORA, NEM NADA DO TIPO. SOU SENTIMENTAL. Menos nobre, eu sei, mas realista.
A verdade é que se algo saiu bonito-artístico-modernista-sessentinha, foi porque me causou dor latente ou alegria demasiadamente entusiasmada e não me coube.Não é bonito, mas é realista.
Foi expurgado, ou se expurgou,como uma espinha que não espera ser espremida pelas minhas mãos sujas, e espirra, sem ser convidada, no coitado mais próximo, ou no meu próprio reflexo no espelho embaçado do banheiro.Não é bonito, mas é realista.
E assim seguem as minhas fraturas expostas, meus acertos pontuais e meus equívocos literários/gráficos/musicais. Mostrando o que eu queria ou precisava que fosse visto. Maculando e sendo maculado. Não é bonito, é realista.
Não é bonito, é realista.
Essa é a minha máxima do momento. O meu rebento atravessado que eu tento parir por quase uma vida inteira e que me rasga as vísceras.
Tenho matado meus duendes e fadas, meus cavalos alados, meus pôneis cor-de rosa.Tenho matado meu julgamento soberbo de achar que o que eu via, era visto porque eu era diferente,especial. Não é bonito, mas é realista.
Penso que passo por uma adolescência tardia,e constato aos poucos a feiura que me cabe e cabe ao mundo.Sem contos da DISNEY, sem enredos de Blockbusters românticos. SEM ARTE.
DÓI, e nesse ínterim, construí uma patologia, para me proteger. DURMO .
Durmo mais que acordo. SONHO mais que VEJO.
E se eu sei que quando acordar tudo aquilo vai embora e o mantenho, preso aos meus braços, ainda assim, é patologia, e das graves. É ninar um feto morto.
Por vezes me senti um peixe fora d'água, mas dizem por aí que se Deus existe, não erra. E se cá estou, fui eu quem não me adaptei.
Vai ver reneguei o papel de "ÁRVORE" na sua obra importantíssima, e tentei ser o anti-herói.
Vai ver tantos outros, pensam por aí, do alto de sua soberba, serem especiais também, e nem isso me torna única.E o sentimento que tanto me corrói é senão patético,corriqueiro. Não é bonito, mas é realista.
Mas no final, eu pergunto, aqui pro meu conselheiro imaginário, já que esse também é um diálogo que tenho enquanto imaginação e por isso só,QUEM ME CONDENARIA?
Que culpa tenho, se na minha cabeça tudo fica MAIS BONITO, MAIS JEITOSO, MAIS DALÍ?
Como me ergo, me dispo do meu ROMANTISMO tão nato, do meu SURREALISMO tão imaginativo, e aceito viver nesse mar de REALISMO, CINZA COR-DE-CIMENTO?
A verdade é que se algo saiu bonito-artístico-modernista-sessentinha, foi porque me causou dor latente ou alegria demasiadamente entusiasmada e não me coube.Não é bonito, mas é realista.
Foi expurgado, ou se expurgou,como uma espinha que não espera ser espremida pelas minhas mãos sujas, e espirra, sem ser convidada, no coitado mais próximo, ou no meu próprio reflexo no espelho embaçado do banheiro.Não é bonito, mas é realista.
E assim seguem as minhas fraturas expostas, meus acertos pontuais e meus equívocos literários/gráficos/musicais. Mostrando o que eu queria ou precisava que fosse visto. Maculando e sendo maculado. Não é bonito, é realista.
Não é bonito, é realista.
Essa é a minha máxima do momento. O meu rebento atravessado que eu tento parir por quase uma vida inteira e que me rasga as vísceras.
Tenho matado meus duendes e fadas, meus cavalos alados, meus pôneis cor-de rosa.Tenho matado meu julgamento soberbo de achar que o que eu via, era visto porque eu era diferente,especial. Não é bonito, mas é realista.
Penso que passo por uma adolescência tardia,e constato aos poucos a feiura que me cabe e cabe ao mundo.Sem contos da DISNEY, sem enredos de Blockbusters românticos. SEM ARTE.
DÓI, e nesse ínterim, construí uma patologia, para me proteger. DURMO .
Durmo mais que acordo. SONHO mais que VEJO.
E se eu sei que quando acordar tudo aquilo vai embora e o mantenho, preso aos meus braços, ainda assim, é patologia, e das graves. É ninar um feto morto.
Por vezes me senti um peixe fora d'água, mas dizem por aí que se Deus existe, não erra. E se cá estou, fui eu quem não me adaptei.
Vai ver reneguei o papel de "ÁRVORE" na sua obra importantíssima, e tentei ser o anti-herói.
Vai ver tantos outros, pensam por aí, do alto de sua soberba, serem especiais também, e nem isso me torna única.E o sentimento que tanto me corrói é senão patético,corriqueiro. Não é bonito, mas é realista.
Mas no final, eu pergunto, aqui pro meu conselheiro imaginário, já que esse também é um diálogo que tenho enquanto imaginação e por isso só,QUEM ME CONDENARIA?
Que culpa tenho, se na minha cabeça tudo fica MAIS BONITO, MAIS JEITOSO, MAIS DALÍ?
Como me ergo, me dispo do meu ROMANTISMO tão nato, do meu SURREALISMO tão imaginativo, e aceito viver nesse mar de REALISMO, CINZA COR-DE-CIMENTO?
![]() |
| Gustave Courbet,Pintor Realista em seu Auto-retrato |
sexta-feira, 24 de maio de 2013
Ex-pectativas(tarja preta)
A força rebelde da aurora da juventude,
a força pulsante, da paixão pelo que acreditava,
tudo se foi.
Fala pausadamente, não chora de alegria,
não ri das tristezas.
só pondera.
Posa para fotos, pousa sob as datas
pensa sem divagar.
Criou um breu nos olhos, uma armadura dura,
fria e áspera,
mas escorregadia.
Que a protege de esperar em esperanças.
que a destituiu das ilusões,
as boas e as nem tão boas assim.
E hoje em dia, das expectativas,
virou expetadora.
É um ser comum,perdida em um cotidiano pacato,
rodeada de pessoas que a substituiriam em menos de um passo.
E
Morre todo dia, só por que,
por ela, ninguém morreria.
a força pulsante, da paixão pelo que acreditava,
tudo se foi.
Fala pausadamente, não chora de alegria,
não ri das tristezas.
só pondera.
Posa para fotos, pousa sob as datas
pensa sem divagar.
Criou um breu nos olhos, uma armadura dura,
fria e áspera,
mas escorregadia.
Que a protege de esperar em esperanças.
que a destituiu das ilusões,
as boas e as nem tão boas assim.
E hoje em dia, das expectativas,
virou expetadora.
É um ser comum,perdida em um cotidiano pacato,
rodeada de pessoas que a substituiriam em menos de um passo.
E
Morre todo dia, só por que,
por ela, ninguém morreria.
terça-feira, 21 de maio de 2013
LIVRO (eu gosto é do gasto)
Encontrou-o sob pés, ao acaso, em uma arrumação noturna no armário. Macio, jogado, suplicante.
No mais, era uma bagunça iminente... o armário, a casa, a vida. Tudo espalhado, tudo muito, e sem nenhum cabresto de ordem.Mais de 48 livros haviam despencado daquelas prateleiras ao abrir da porta,e justo ele encostava suavemente suas histórias grafadas nas solas cautelosas de seus pés descalços.
Olhou com um misto de curiosidade e medo.Lembrava dele, das histórias dele, das histórias com ele.
Do dia que o lera e que por ele se apaixonara. Eram frescos em sua memória. Os personagens tão bem elaborados,mais familiares do que deveriam, mais parecidos com os que ela conhecia do que seria possível..
Chegou a atribuir vozes a eles, e por elas se apaixonou também.
Lembrava de seus trechos favoritos, de tudo que sua cabeça falara para si enquanto os lia, do que tinha e dos que tinha em sua vida naquele momento.
Lembrava de te-lo lido compulsivamente até cair no sono, vezes chorosa, vezes esperançosa, tomando apenas o cuidado de guarda-lo sob o travesseiro. Para protege-lo, para te-lo perto, velando seu sono.
Então leu um trecho. Escolhido a esmo, tal qual a página.Logo ele. Tantas vezes recitado, tantas vezes chorado,tantas vezes...como naquele dia. Aquele dia com ele.
Ao aproxima-lo de si, examinou as páginas gastas de uso. Orelhas marcadas, manchas de café, manchas de olhos que marejaram, e cheiros. Cheiros dele, Cheiros dela.Cheiros de tudo que ele viu dela. E antes dela, e...
Ah, os cheiros! Quão inebriantes são os cheiros da memória e da melancolia.
Mil aromas diferentes invadiam agora a narina investigativa daquela menina.
Eram cheiros e cheiros, aromas e aromas... do uso diário, do descuido do armazenamento, cheiros do mofo, do tempo. Cheiros do tempo passado. Cheiros de sentimento.
Podia senti-los no colo nu tão logo pressionou aquelas páginas amareladas e melancólicas contra o peito.
Acarinhavam-na.
Sim, cheiros são possíveis de tocar uma tez saudosa. Cheiros tem tato!
Cerrou os olhos, e meneou a cabeça para trás, tramando os lábios num gemido quase silente. Embriagado.
O coração palpitava fazendo o peito mover-se como bossa. Como coração amante.
Eram amantes.
Aquelas histórias, aquelas lembranças, aquela cousa à que ele remetia a fez apaixonar-se perdidamente outra vez. Evoca-las assim , sem amanho, sem aviso prévio, era como um beijo.
Um beijo roubado de quem ama fervorosamente. Furtivo,do tipo que não respeita as intensidades das coisas sãs e as atropela com eloquência.
Mergulhada naquele passado inebriante, lembrou-se dele.
E lembrou-se uma vez mais, antes de fechar definitivamente a contra capa e abafa-lo na prateleira.
Para sempre.
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