quinta-feira, 18 de março de 2010


a dor da escolha é fina navalha...
a da espera, corta por atrito
e queima...
e se alimenta do suco do meu estomago...

eu não consigo esperar a minha paz a cavalo,
nem meu principe a caminho,
nem tuas respostas nem as minhas,
nem o futuro dar as cartas...

socorram logo meu desespero,
deem o alento da certeza
nem que seja a pior,
nem que seja a mais estreita...


senão eu morro de antecipação
de prever o pior, e pior de tudo,
não prever nada...

domingo, 24 de janeiro de 2010

Quasimodo-retalhos de feiura...





"cortou o dedo...
fio de navalha...
quebrou o espelho...
beleza falha..."



"não condene ninguém por esconder-se na sombra
se o humano é feio e o feio costumamos esconder...
vem pra mentira você também...esconder-se da luz na penumbra..."


"riu-se de novo,
ela sabe como é
sentir-se sem corpo
num nu jocoso...

força contra maré"



"corte o grito de silencio que diz que é preciso aceitar o que a vida te deu...
quem aceita de fato?não eu...
esse corpo...esse olhar...essa voz não é minha...quem se deu ao direito de escolher por mim?"


"desdenhou do admirável
não viu que teria que ver
aprovou o reprovável
foi apenas quem tinha que ser"



"não olhe para mim nessa sombra...se a feiura te incomoda...mantenha distância...reprovação é afronta...não quero pena nem desdém...olhos cegos não vêem a quem..."



"você não entenderia,
moro nessa catedral vazia...
um lugar abandonado
dentro do meu ser...
me chamo Quasímodo...
prazer em conhecer..."





sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Maria, a louca


...Que ela correria na metade final do percurso
não era difícil presumir, espantoso foi ver para onde correu...

A maioria das pessoas pensa que limitar-se seja um caminho regressivo
e pouco sábio... talvez não...

Deram 5 horas da mesma tarde de todos os dias...desceu da asa daquele passarinho
e foi tomar do mesmo chá da burguesia...muito ouvia, nada falava...
era A Louca, não a conselheira...A Louca, não a ponderada...
A Louca, não a sapiente...

Mas eram eles quem gastavam o dia olhando para fora...para aquelas janelas vazias...
sempre os mesmos assuntos...sempre as mesmas respostas....sempre julgando seus julgamentos errados e irrepreensíveis...

Ela ouvia...sempre ouvia...horas e horas da mesma ladainha...nada falava... nunca queria
Era quando saia, que a verdadeira discução acontecia...na sua cabeça... jorros de sabedoria banhavam seus sonhos... insalubres visões se coloriam...e ela ria...
Nada muito possível,nada difícil de palpar...quem diria...
Então ela sentia...
Tudo que falava boca para fora não condizia, na verdade, com coisa alguma que dizia para si...não era blefe...
Não poderia dizer, de qualquer modo qualquer coisa que vivia cabeça adentro, pois para esse mundo não serviam, para essas cegueiras, eram insípidos...

Guardava seus pensamentos e suas visões,suas cores particulares... para onde era realmente livre...sua Gaia particular...onde mais então, viveria maria? A Maria Louca, senão na louca cabeça de Maria

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

se não faço é só por temer
de a morte não ser o fim
e se caso possa ser
ser o final, enfim

covarde diante do precipício
apenas me deixo ficar
a inércia como vício
o julgamento a me fitar

não há de ser culpa de ninguém
nem tampouco loucura assim
se nem o bem me faz bem
que há de ser de mim?

rezando um golpe de vento
me levar pra perto do chão
que o tempo faz rebento
que há de a vida tornar grão

E se o acaso me levar
num infortúnio fim
saiba que hei de gostar
da sorte ter levado a mim

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

é só lascivia...




tem coisa que a gente diz






não sou eu, é minha cabeça...






tudo bem.... a gente diz...






cadê que para?






vêm tirar esse desejo de mim...






é só lascivia...






mas meu pensamento também...






é só lascívia que vem...






e você não está pra matar minha carências






são minhas, não suas...






que fazer se não a loucura?






vem correndo que o precipício eh grande






mas a vontade também eh...






que seja ideal o quanto antes






ou não será....


















garante ainda um lugar pra ti...antes que eu parta de vez....

domingo, 15 de novembro de 2009

nesse silêncio débil,
que cerca pensamentos e intenções,
as boas e as más...
dançam as lágrimas dos meus olhos tristes


mais secas que nunca...
os pés descalços no chão
lembro das palavras de meu avô...
será é assim tão óbvia minha tolice?

as palavras que quis ouvir
de qualquer transeunte
vieram e eu não ouvi
porque o simples é tão complicado?

vai saber,
não é pra ser...
quem sabe um outro alguém num novo tempo...
hoje não...amanhã talvez





sexta-feira, 13 de novembro de 2009

dona Flor

amantes de 5 minutos
o sexo que ele lhe dava
cobria-lhe as coxas brancas de beijos
aquele beijo tão molhado...

mãos nas ancas a fazê-la gritar
o suor escorria-lhe pelas costas...
marcas de desejo na pele alva da distinta senhora
a desculpa esfarrapada que ao outro inventaria...

mas aquele amor que era amor...
torpor puro...animalesco,bestial...
esses desejo e paixão,
nunca tivera do outro...

esse não,
tinha uma palheta de cores nas mãos,
pintava aqueles atos de luxúria com amor...
e todo aquele emaranhado de mãos frenéticos
que marcavam seu encontro...

despudorava-se com luxúria à presença dele...
florescia... a esposa cinza, florescia...
a prostituta mais voluptuosa...a ninfeta doce..
era para o amante o que queria...
o que ela queria...

ah,se soubessem os vizinhos ...
que a Candida dona Flor,
beata, devota...
era tão amoral naquela cama de cafofo...

não se importava...
era a mulher perfeita para seu marido..
café pronto,sexo dedicado...
todas vontades atendidas a mesa...
com esmero...

mas o desejo era do outro...
e agora o amor...era do outro...
e seu corpo, de verdade... do outro...

(casos e descasos)


tenho medos adormecidos...
esquecidos,
dissolvendo aos poucos minhas entranhas...

seus segundos de lucidez...
maciez e apuro...
(sé é que isso é tua lucidez e não o contrário)
meus quase sempre concretos medos de que tudo que fala
tenha algo roto por trás...

carinho é sofrimento por apreensão
falta de carinho é sofrimento por privação
um labirinto paradoxo de emoções

ironia do destino, sincretismo de idéias
és meu minotauro, como és touro no zodiaco...
devora meus pensamentos mas não os cativa...

Deus diz onde isso irá levar...
Dai-me um novelo Ariadne...tenho que vencê-lo
como Teseu...um só golpe na cabeça...
que não seja de força....













(...)"A palidez dos sapatos gastos, era a mesma da face cansada...

os cabelos negros que outrora compunham e emolduravam sua rústica beleza,agora emaranhavam-se pelo pescoço e barba...

sua obediência servil agora hesitava...




nem o mais fiel dos cavalheiros permaneceria inquestionável

depois de tantos anos de batalhas vãs e tiranias reais injustificáveis

...cansara...
não havia de ser só falta de sorte...



buscaria apenas pela vingança...

viveria por isso e para isso...

acordaria e durmiria para morrer em paz...

um motivo vago e por isso imbatível para seguir...



não queria amor, família ou filhos...não nascera para isso.


As lágrimas que desciam do seu rosto nunca de tristeza, mas de vingança...

as mão empunhadas e rígidas nada serviam para ternura.



não conhecia segurança...nem a felicidade lhe sorrira...

não conhecia definições,conspirações ou coisas do gênero

só conhecia a vida e dela conhecia muito pouco...


mas,

de uma coisa sempre tivera certeza...

o inferno nunca tarda....

(...)




















===============================================





comecei(comecei? tá...talvez a algum tempo)...a ter uma invejinha (inha?) desse casais felizes, cheios de apelidinhos fofos e declarações hiperbólicas de "mais lindo,fofo e necessário do mundo"...
comecei a ter inveja desses casaizinhos de namorados...com fotos na internet...com lembranças em cartões...com brincadeiras e sorrisos...
comecei a ter inveja desses casaizinhos felizes...com carinhos...e abraços e beijinhos...com "eu te amos" gritados para todos ouvirem...
começei a ter inveja desses casaizinhos...
e da felicidade...
alguém sabe onde eu compro isso?
casal feliz vende na feira?




terça-feira, 10 de novembro de 2009


pedaço de pele manchado, de você .
antes afeto, agora apego.
se já houvera amor ,
amargo está .
num inicio que não retorna ,
nas mentiras que insistem...

antes,
procuramos o choro por toda parte ,
enquanto sorriamos mentiras.
veio e não se foi... .
ainda está perdido no nó da garganta...

hoje,
te pergunto que vai ser de nós,
quando não houverem nem lágrimas a descer
dos olhos,
nenhuma palavra relevante a dizer,
não haverá mais nada.
que iremos causar p'ra dizer do nosso amor?